Trocar o desespero por idas até à tua alma,
deixa-me dizer-te acerca da eternidade
é qualquer poeta apaixonado por um abismo,
a réstia humana em que somos os dois:
desde o papel à epiderme vai um estreito desfiladeiro
olho para a queda mortal em que te tento encontrar
lá em baixo manadas de búfalos, correndo acelerado
o coração que vai sempre sentir o medo
desistente tentativa de saltar até ao teu abraço -
É verdade, fico como que escrevendo, mas sem anotações
tudo a torto e a direito num pensamento de linhas travessas
tinha o mapa desta metrópole, mas deitei-lhe fogo
do mesmo com que te anseio, num delirio caótico
frenético da cidade incandescente cheia
das divisões vazias em que somos alguns - tantos
no cumulo de querer tanto a ninguém de uma vez só:
insónias inteiras dedicadas ao salto por dar
uma vida que é como se fosse um arranha-céus
onde já nem valentia existe para o âmago final
tudo por consequência do beijo unilateral
a quem tenho por receio de haver alguma vez existido.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
domingo, 11 de setembro de 2016
Parágrafos
Blindada rotina
(Que me faz sossegar
E me retira o esplendor
Dos lugares comuns):
Sê leal à tua ruindade
Apaga-te da vida dos mortais
Que dependem uns dos outros
Para nem saber imaginar.
Lutar! Lutar sempre...
O melhor só chega no fim
Quando todas as vivências de aglutinam
E as derrotas não perturbam ninguém.
Passar à fase em que se existe,
Não fruto do acaso,
Vingar a arte da vida
Numa performance eterna de experiência.
E quando não há mais para caminhar,
Nas memórias, mergulhar!
E adoptar novos sentidos
Nos palcos que, pela vida, foram vencidos.
Blindada rotina
(Que me faz sossegar
E me retira o esplendor
Dos lugares comuns):
Sê leal à tua ruindade
Apaga-te da vida dos mortais
Que dependem uns dos outros
Para nem saber imaginar.
Lutar! Lutar sempre...
O melhor só chega no fim
Quando todas as vivências de aglutinam
E as derrotas não perturbam ninguém.
Passar à fase em que se existe,
Não fruto do acaso,
Vingar a arte da vida
Numa performance eterna de experiência.
E quando não há mais para caminhar,
Nas memórias, mergulhar!
E adoptar novos sentidos
Nos palcos que, pela vida, foram vencidos.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Medo (IV)
A casa enfeitada de cristais vários
Desobedece às leis do medo
Não me apoquenta a desordem
Em que tudo jaz serenamente.
Eu, inquieto, sem interacção,
Imóvel, despertando a curiosidade dos objectos,
Todos calados, a fingir que não pensam
À espera da reacção amedrontada.
Nisto, assumo! Faço! Dou Vida!
Porque de mim nasceu o medo
E nele reconfortado cresci
Aquele que temia ser, me tornei.
Nunca conceberei algo, de ti, liberto
Mas medo: minha apoteose fulgente
Desfaz esta minha fé de ti
Relembra-me o que é morrer feliz!
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Poema com Anos de Atraso
costumavas escapar no rosto em que te parecesses
qualquer um pedestre caminhando os teus pensamentos
um homem num milhão sorrindo a inequivoca promessa
do dia a que chegámos
a manhã depois do inferno
onde somos um cá dentro desde a tua janela
e o sol brotando nudez à conversa
chegado o tempo de colher todas as sementes tristes,
de encantar uma bela mulher sem chão,
a que se escapa no rosto em que se parece
e que finalmente retorna
à pátria querida de todos os desterrados,
cheia do testemunho ausente
da longa jornada até ao humanamente longínquo
um nada de Primavera mais remoto ainda
cristalizado no peito intemporal
de todas as palavras correspondidas.
qualquer um pedestre caminhando os teus pensamentos
um homem num milhão sorrindo a inequivoca promessa
do dia a que chegámos
a manhã depois do inferno
onde somos um cá dentro desde a tua janela
e o sol brotando nudez à conversa
chegado o tempo de colher todas as sementes tristes,
de encantar uma bela mulher sem chão,
a que se escapa no rosto em que se parece
e que finalmente retorna
à pátria querida de todos os desterrados,
cheia do testemunho ausente
da longa jornada até ao humanamente longínquo
um nada de Primavera mais remoto ainda
cristalizado no peito intemporal
de todas as palavras correspondidas.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Tua
Tão brava galopas
Nas rochas que desprendes das montanhas
Que cavas no seio dos montes
E se prendem ao teu esplendor.
Essa declaração de amor que é ser minha
Eu jamais a tinha escutado
Não fosse essa voz a rebentar ao sol
Num eterno romper de liberdade
E um dia raptaram-te, fizeram-te deles.
Querem que já não sejas minha
Que te desfaças contra uma parede
Que te suicides nos vales que sozinha forjaste.
Tão incrédulo ver-te presa,
Esmagada e triste,
Comida pela ganancia
Destruida.
Nunca mais fui o mesmo
Só o sou ao relembrar-te
Quando te desceste do céu
E ao infinito me devolveste.
Nas rochas que desprendes das montanhas
Que cavas no seio dos montes
E se prendem ao teu esplendor.
Essa declaração de amor que é ser minha
Eu jamais a tinha escutado
Não fosse essa voz a rebentar ao sol
Num eterno romper de liberdade
E um dia raptaram-te, fizeram-te deles.
Querem que já não sejas minha
Que te desfaças contra uma parede
Que te suicides nos vales que sozinha forjaste.
Tão incrédulo ver-te presa,
Esmagada e triste,
Comida pela ganancia
Destruida.
Nunca mais fui o mesmo
Só o sou ao relembrar-te
Quando te desceste do céu
E ao infinito me devolveste.
De, João Bilhó
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Rebentação
Vejo-te dentro da maré alta, rebentações furiosas
largadas à ternura de um postal sobre a costa luminosa.
Vivo na pedra onde cai a tua água, lágrimas pela madrugada
salgando a boca mutua de palavras em estado-limite.
Assim somos entre beijos aquosos - um afogo de amor
a favor da natureza implacável, onde só o tempo
construirá a mecha de areal que pretendemos
a cada abraço profano, a cada onda de turbulência desmedida.
Lembro-me desse mar, atraida pela cicatriz da rocha,
um beijo em desespero como se fosse erosão sobre os lábios:
como me aproximo de ti e vejo a escarpa mortal
és o salto para dentro, a vista desprotegida sobre o Cabo.
largadas à ternura de um postal sobre a costa luminosa.
Vivo na pedra onde cai a tua água, lágrimas pela madrugada
salgando a boca mutua de palavras em estado-limite.
Assim somos entre beijos aquosos - um afogo de amor
a favor da natureza implacável, onde só o tempo
construirá a mecha de areal que pretendemos
a cada abraço profano, a cada onda de turbulência desmedida.
Lembro-me desse mar, atraida pela cicatriz da rocha,
um beijo em desespero como se fosse erosão sobre os lábios:
como me aproximo de ti e vejo a escarpa mortal
és o salto para dentro, a vista desprotegida sobre o Cabo.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Dimensão Quimíca
Eu e a miúda contra a parede, se ao menos alguém soubesse
o sangue que ferve de igual forma em corpos opostos
como nasce o sorriso, o rosto pousado na relva
pássaros verdes cantando um verão deixado:
em como fugi da divisão e encontrei uma casa no olhar,
dela, deles, nós nesta dimensão desconhecida
a que chamam atracção
quantas vezes através do abismo,
agora subitamente através do sol iluminado
uma segunda chance de sermos infinitas
todas as hipóteses tiradas com força à loucura
finalmente livres da grade em que nos convençeram a vida.
o sangue que ferve de igual forma em corpos opostos
como nasce o sorriso, o rosto pousado na relva
pássaros verdes cantando um verão deixado:
em como fugi da divisão e encontrei uma casa no olhar,
dela, deles, nós nesta dimensão desconhecida
a que chamam atracção
quantas vezes através do abismo,
agora subitamente através do sol iluminado
uma segunda chance de sermos infinitas
todas as hipóteses tiradas com força à loucura
finalmente livres da grade em que nos convençeram a vida.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
